O começo da vida

Dizem que podemos passar até cinquenta dias sem comida, e até cinco dias sem água, antes de morrermos. Claramente são dados muito incertos, porque de fato a resistência do corpo vai variar de pessoa para pessoa, e até fatores externos, como o frio, influenciariam essa resistência.

Mas e sem ar?

Quanto tempo você aguenta ficar sem ele? Já pensou sobre isso?

Por que será que não dedicamos a mesma atenção que é dedicada às refeições diárias e a ingestão de líquidos, à nossa respiração, mesmo sabendo que ela é tão fundamental?

A respiração é o começo da vida. Somente quando o recém-nascido respira é que podemos dizer que a sua jornada começou.

Há um mito hindu que diz que todo ser vivo quando nasce recebe um número de respirações pré-determinadas, do primeiro ao último suspiro. Daí a explicação para as tartarugas serem tão longevas em relação, por exemplo, aos hamsters.

Imagine só quantas pessoas passariam a respirar mais profundo se tomassem conhecimento desse curioso conto!

Claro, não é assim tão fácil. Vivemos em um mundo com infinitos estímulos, e lembrar de respirar profundo em meio ao caos pode ser uma tarefa mais difícil do que se imagina.

Tenho a esperança de que com esse trabalho (de formiga) cada vez mais pessoas acessem esse novo – que na verdade é bem antigo – ponto de vista.

Sim, antigo. Porque os hindus, aqueles descendentes de uma das civilizações mais antigas da história da humanidade, utilizam técnicas respiratórias até mesmo para atingir outros estados de consciência, e isso tudo é datado há mais de 6.000 anos, no surgimento do Yôga.

E é particularmente interessante fazer um comparativo entre as culturas ocidentais e orientais nesse ponto. É de comum saber que no ocidente o ato de respirar consiste em somente duas etapas:  inspiração e expiração.

Pois bem, para essa cultura onde o Yôga se originou, e que acabou influenciando muitas outras filosofias, e até mesmo artes marciais no oriente, a respiração consiste em quatro etapas:

  • inspiração;
  • retenção com o ar nos pulmões;
  • expiração e;
  • retenção sem ar nos pulmões.

Experimente uma vez agora, você não precisa parar a leitura: 

Inspire profundo, retenha esse ar apenas para sentir como é estar com os pulmões cheios. Solte o ar lentamente e aprecie, sem ar nos pulmões, o efeito desse ciclo em seu corpo.

Não é uma sensação deliciosa? 

Faça isso mais uma vez. Inspire profundamente e observe com mais atenção as características do ar que preenche os seus pulmões. Sinta o calor que o seu corpo produz através do ar que sai deles.

Respirar é algo mágico. Pode mudar o seu estado emocional. Pode fazer você tomar decisões mais conscientes. Pode tornar a sua vida muito mais prazerosa. E se quiser aprofundar esse re-conhecimento e ampliar a capacidade pulmonar, conte comigo para te orientar. 🙂

Confira a playlist de técnicas para fazer durante a rotina de trabalho:

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E a playlist com alguns dos pránáyámas principais (técnicas respiratórias):

Home office

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"Não tenha pressa, tenha rumo. Saber respeitar o próprio ritmo é uma arte."

Tainá Shaktí.